sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A EPISTOLA AOS ROMANOS

A epistola aos Romanos serve como a principal nau na esquadra de cartas paulinas do Novo Testamento.
Esta epistola também tem grande importância na historia do cristianismo. Uma quantidade inumerável de homens e mulheres de fé destacaram Romanos como uma arma usada poderosamente por Deus para trazê – los a Cristo. Agostinho, Martinho Lutero, John Wesley e outros receberam de Romanos um disparo de artilharia que rompeu suas defesas e pôs fim à sua rebelião contra Deus.
Romanos revela uma compreensão ampla lógica e madura do Antigo Testamento, formando assim um poderoso arsenal à serviço do cristianismo. No tempo em que foi escrita, o Espírito Santo tinha transformado Paulo em um hábil comunicador da fé. Uma prova disso é a carta do apostolo aos Romanos, um tratado teológico que se encaixa perfeitamente na definição de Paulo da Escritura como proveitosa para ensinar para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça (2 Timoteo 3:16).
A epistola aos Romanos representa a mais completa expressão da teologia apostólica. Os argumentos usados por Paulo desafiam a mente secular e pagã, bem como a religião super – ficial de muitos neo – pagãos. Romanos é um poderoso nivelador, pois declara que todos pecaram e destituído estão da gloria de Deus (Romanos 3:23).
Visto que todos são pecadores, é uma agradável surpresa o fato de que Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8). Essa é a boa – nova que Paulo sistematicamente e tão eloqüentemente defendeu em seu tratado teológico endereçado aos Romanos.

1. Autoria

Pouca duvida há de que Paulo seja o autor da epistola aos Romanos.
Clemente de Roma estava bem familiarizado com esta carta. Ele esta incluída em todas as listas de cartas de Paulo. Somente os seguidores mais liberais da Escola de Tubcingem (seguidores de F.C. Baur) negarem a autoria paulina. Esta carta, juntamente com 1 e 2 Corintos e Gálatas, tem o lugar mais seguro na aceitação dos vinte e sete livros do Novo Testamento. O amanuense desta carta foi Tércio (Romanos 16:22), aparentemente um membro da igreja em Coríntio. Alguns acham que ele era, possivelmente, um escravo de Gaio (a quem Paulo batizou em sua primeira viagem a Coríntios – 1 Coríntios 1:14) que, como anfitrião de Paulo, para a composição desta carta. Isto, contudo, apenas pode ser uma conjectura.

2. Ocasião

Em Atos 19:21, 22 e 20:13 pode – se ver que Paulo deixou Efeso e viajou para Corinto. Ele enviou irmãos de confiança adiante dele, a fim de persuadir as igrejas da Macedônia e de Acaia para coletarem uma oferta “para os pobres dentre os santos” de Jerusalém (Romanos 15:26). Ele planejara ir a Jerusalém com a oferta, e depois, a Roma (Atos 19:21). Sentia que seu ministério no Oriente estava por terminar e pensou em ir à Espanha (Romanos 15:24). Passando através das áreas mencionadas, ele coletou as ofertas e estava se delongando em Corinto por três meses antes de partir para Jerusalém. Em Romanos, Paulo demonstrou o seu grande desejo de visitar Roma e conseguir algum fruto de seu ministério entre os gentios, naquela grande cidade, como o teve em outros países gentios (1; 13).

3. O histórico

Durante uma visita de três meses a Corinto (Atos 20:1 – 3). Paulo escreveu Romanos. Em Romanos 16:23, ele indica que estava com Gaio e Erasto, ambos relacionados com Corinto (1 Corintios 1:14, 2 Timóteo 4:20). É provável que Febe (16:1), que Serveia a Corinto (Atos 18; 18), tenha levado a carta. Originalmente, Áquila e Priscila, amigos de Paulo, eram de Roma (Atos 18:2), e constatamos que voltaram a Roma por meio da saudação a eles registrada em Romanos 16:3.
Como surgiram os grupos de crentes em Roma? Veja que Paulo não dirige a cata “a igreja de Roma”, mas “a todos os amados de Deus, que estais em Roma” (1:7).
Ao ler o capitulo 16, não podemos deixar de notar grupos distintos de crentes, o que sugere que não havia uma congregação local (16:5, 10 – 11,14 – 15). Uma tradição, sem fundamento histórico ou escrituristicos, afirma que Pedro iniciou o ministério em Roma. Embora não se possa provar, alegar – se que Pedro viveu 25 anos em Roma. No entanto, com certeza, haveria uma igreja organizada em Roma, em vez de corpos de crentes espalhados, se Pedro tivesse iniciado o trabalho lá. Paulo sempre saúda os lideres espirituais em suas outras cartas; no entanto, em Romanos 16, ele saúda muitos amigos, mas não Pedro. Com certeza, se o grande apostolo Pedro estivesse ministrando em qualquer lugar de Roma, Paulo o citaria em alguma das epistolas (Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemon, 2 Timóteo) que escreveu em sua prisão. Em Romanos 15:20 Paulo afirma que não edificou seu trabalho sobre a fundação erguido por outro homem, e esse é o argumento mais forte contra Pedro ter iniciado o trabalho em Roma.
Paulo estava ansioso em visitar Roma e ministrar aos santos de lá (1:13; 15:22 – 24, 28,29; Atos 19:21; 23:12), mas ele não faria esses planos se outro apostolo já tivesse iniciado o trabalho lá.

4. Propósito

O propósito imediato da epistola aos Romanos era Paul apresentar – se à igreja em Roma, a fim de obter apoio entre os irmãos. Ele queria ir ate eles não como um estranho, ma como alguém com quem pudesse se identificar no ministério dele aos gentios. Ele escreveu – lhes sobre o seu grande desejo de visita – los, para se fortalecerem mutuamente na fé (1:11, 12). Por outro lado, talvez ele tivesse em mente que Roma poderia servir de base para o seu ministério no Ocidente.
Paulo esta para encerar seu trabalho na Ásia (15:19) e iria Jerusalém com a oferta de amor das igrejas da Ásia (15:25, 26). Seu coração sempre ansiou por pregar em Roma, e essa longa carta foi sua forma de prepara os cristãos para sua chegada. Enquanto estava em Corinto (Atos 20:1 – 3), ele também escreveu a carta aos Gálatas, em que respondia aos judaizantes que confundiam as igrejas da Galacia. Talvez, Paulo quisesse advertir e ensinar os cristãos de Roma a fim de impedir que esses judaizantes atrapalhassem seus planos, caso chegassem a Roma antes dele. Em Romanos 3:8, ele mencionas que alguns homens fizeram acusações falsas contra ele. Assim, podemos resumir os motivos para Paulo escrever essa carta da seguinte forma:

(1) Preparar os cristãos para sua visita e explicar – lhes por que não fora antes (1:8 – 15; 15: 25 – 29).

(2) Ensinar – lhes a doutrinas básicas da fé cristã a fim de que falsos mestres não os confundissem.

(3) Ensinar – lhes o relacionamento entre Israel e a igreja para que os judaizantes não os desviassem com suas doutrinas.

(4) Ensina aos cristãos as obrigações que tinham uns com os outros e com o Estado.

(5) Responder a alguma calunia lançada contra ele (3:8).

Paulo também tinha boas razoes para duvida do resultado de sua visita a Jerusalém. Ele tinha que lutar constantemente contra os judaizantes, os judeus cristãos que queiram que todos os gentios cristãos se tornassem prosélitos do judaísmo. Tinha a esperança de que as ofertas, enviadas por igrejas constituídas principalmente de gentios cristãos, viessem trazer a reconciliação com a influente igreja judaica em Jerusalém.
Pelo argumento e estrutura da carta, vê – se claramente que Paulo sabia dos problemas potenciais (se não reais) na igreja. Estes problemas foram encontrados em muitas das igrejas. Paulo sempre teve que lutar para manter um equilíbrio apropriado entre a liberdade cristã e o antinomianismo (Romanos 3:8; 6:1; 7:1 – 12 etc.)
Todas as declarações do propósito estão ligadas, de algum modo, com a situação histórica. Paulo tem que ir a Jerusalém, antes de poder, possivelmente, chegar a Roma e ser enviado a caminho da Espanha. Assim ele escreveu esta carta para preparar os cristãos de Roma para uma visita posterior, esclarecer sua posição em suas metes e lançar o alicerce para uma discussão das áreas problemáticas, quando de sua chegada. Por esta razão, a epistola aos Romanos é ocasional, ou seja, foi escrita para uma ocasião específica, dentro de umas situação histórica.

5. Tema

O tema básico de Paulo é a justiça de Deus. Nesses capítulos, usam – se termos relacionados à justiça, de uma forma ou outra, mais de 40 vezes. Nos capítulos 1 – 3, ele apresenta a necessidade de justiça, em 3 – 8, a provisão de justiça, da parte de Deus, em Cristo, em 9 – 11, com Israel rejeitou a justiça de Deus, e em 12 – 16, como devemos pratica a justiça em nossa vida diária.

6. Estrutura

Os dezessete primeiros versículos de Romanos formam a introdução. Esta é a maneira normal pela qual Paulo inicia sua carta. Há as saudações paulinas (1:1 – 7), seguidas por uma oração de raças, expressando seu interesse nos cristãos romanos (1:8 – 15). Os dois versículos seguintes (1:16,17) apresentam o tema da carta: a justiça de Deus, conforme revelada em suas ações para com o homem pecador. A pergunta a que Paulo responde por toda a carta é como Deus pode ser justo em salvar alguns, enquanto outros são rejeitados. Como pode Deus ser igualmente justo e ainda justificar o pecador através da aceitação do evangelho (3:26)?
Paulo desenvolve seu tema da justiça de Deus através de uma apresentação sistemática das ramificações tanto da necessidade de boa – nova quanto da realidade dela, boa – nova esta que esta em Jesus Cristo (1:16,17). Paulo começa seu argumento insistindo na necessidade universal da justiça de Deus num mundo com uma humanidade pecadores (1:18 – 3:20). O restante do primeiro capitulo traça os tristes resultados do pecado e a retribuição (“ira de Deus”) na degradação da humanidade. Sem escuda, a humanidade mudou o que ela tinha de revelação divina de Deus em mentira (1:25). Os homens estão sem esperança, envidado na teia do peado, da qual eles não podem nem querem desembaraçar – se. Mesmo aqueles que tem uma revelação mais completa, os judeus, não foram capazes de por em pratica o propósito de Deus, e, conseqüentemente, afastavam – se da justiça de Deus e estão num estado pior que os pagãos (2:1 – 3; 20). O pecado é uma enfermidade universal e afeta a todos. “Todos pecaram (tanto judeus, como gentios) e destituídos estão da gloria de Deus” (3:23). A “ira de Deus” é expressa tanto contra o judeu (2:1 – 20) quanto contra o gentio (1:18 – 32).
Neste hiato da condição do homem e a santidade de Deus, Deus interveio para ajudar o pecador com uma justiça que não é “alcançada”, mas “enviada para baixo” (3:21). Deus é capaz de ser justo e ao mesmo tempo ser aquele que torna o pecador justo (3:26), por causa de uma nova posição concedida ao crente que tem fé na obra de Jesus Cristo (3:22 – 25). O pecador é declarado justo, não por causa de algo que tenha feito, mas porque ele se tornou uma nova pessoa em Jesus. Esta novidade de vida resulta do arrependimento e fé na morte e ressurreição de Jesus. Através da aceitação da obra de Jesus pelo pecador, Deus concede – lhe uma nova posição: a justificação (4:24,25).

7. Conteúdo

Romanos é a mais longa e teologicamente mais significativa das cartas de Paulo “o mais puro evangelho” (Lutero). A carta assume a forma de um tratado teológico emoldurado por uma introdução (1:1 – 17) e uma conclusão (15: 14 – 16,27) epistolares.
O evangelho como a justiça de Deus mediante a fé (1:18 – 4:25). A justiça de Deus mediante a fé que é o tema da primeira seção principal da carta. Paulo prepara o caminho para esse tema ao explicar por meio que foi necessário que Deus manifestasse sua justiça e por que os seres humanos podem experimentar essa justiça mediante fé somente. O pecado, diz Paulo, subjugou todas as pessoas, e somente um ato de Deus, experienciado como um dom gratuito mediante a fé, pode romper esse jugo (1:18 – 3:20). Só Deus pode transformar essa situação trágica, e assim ele fez ao tornar disponível mediante o sacrifício de seu Filho, um meio de as pessoas tornarem – se justas, ou inocentes, diante de Deus (3: 21 – 26). Essa justificação, Paulo insiste, pode ser obtida apenas mediante a fé (3: 27 – 31), como esta claramente ilustrado no caso de Abraão (4: 1 – 25).
O evangelho como poder de Deus para salvação (5: 1 – 8,39). Depois de mostrar como seres humanos pecadores podem ser declarados justos diante de Deus mediante a fé, Paulo, na segunda seção principal da carta, desenvolve a importância desse ato tanto para o juízo futuro quanto para a vida terena presente. Ser justificado significa experimentar a “paz com Deus” ou a reconciliação com Deus e especialmente uma firme esperança de justificação no dia do juízo (5:1 – 11). A base dessa esperança é o relacionamento entre o crente com Cristo, o qual, fazendo os efeitos do pecado de Adão, conquistou a vida eterna para todos os que lhe pertencem (5:12 – 21).
O evangelho e Israel (9: 1 – 11, 36). Um tema chave ao longo de Romanos 1 – 8 é a questão da revelação entre lei e evangelho, judeus e gentios, o antigo povo da aliança com Deus e o seu novo povo da aliança.
Esse é o assunto da terceira seção principal da carta. Será que as transferências dos privilégios da aliança de Israel para igreja significa que Deus invalidou as promessas que fez a Israel (9: 1 – 6a)? De forma nenhuma é o que Paulo responde. Primeiramente as promessas de Deus já mais tiveram a intenção de assegurar a salvação de cada israelita por nascimento (9: 6b – 29). Em segundo lugar, o próprio judeu não acolheu a justiça de Deus, porem muito deles inclusive Paulo foram salvos, e as promessas de Deus estão se cumprindo neles. (11:1 – 10).
O evangelho e a transformação da vida (12:1 – 15,13).
A ultima seção principal do tratado teológico de Paulo é dedicado ao resultado pratico da atuação da graça de Deus no evangelho. Numa declaração inicial concisa, Paulo lembra seus leitores que essa graça de Deus deve estimular a entrega sacrifical de si mesmo ao serviço a Deus (12:1,2).
Esse serviço pode assumir varias formas á medida que os múltiplos dons que Deus concedeu a seu povo são exercido (12:3 – 8). Os muitos e detalhados aspectos desse serviço a Deus devem ser permeados pelo amor (12:9 – 21). Paulo adverte que servir a Deus não significa que o cristão pode desatender ás reivindicações legitimas que o governo nos impõe (13: 1 -7). Embora livres da lei, os cristãos não podem tampouco desatender à vigência continua do mandamento que sintetiza a lei amar o próximo como a nós mesmo (13:8 – 10).
BIBLIOGRAFIAS

HOUSE,E. Arl Radmacher, Ronald B. Allen, H. Wayner. O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento. Editora Central. 2009. Rio de Janeiro.
HALE,Broadios David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Hagnos. 2001. São Paulo.
BIBLIA SAGRADA – Revista Corrigida. CPAD. 1995. Rio de Janeiro.
MORRIS,D. A. Carson, Douglas J. Moo Neon. Vida. 1997. São Paulo.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico. Central Gospel. 2008. São Paulo.

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